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Bezerra clonada potencializa produção de leite

O objetivo da clonagem foi criar um bovino resistente ao Cerrado, com qualidade superior na produção de leite

A bezerra Acácia é o primeiro clone da raça Gir leiteiro (raça zebuína de origem indiana) desenvolvido pela Embrapa Cerrados. Foram anos de estudos até que os pesquisadores chegassem a um processo de clonagem que resultasse em uma raça com alto potencial para produção leiteira. Assim surgiu Acácia, clone da vaca Calidora, criteriosamente selecionada por sua excelência genética. As semelhanças entre ambas são surpreendentes – chegam a 95% (desde a cor da pelagem até o porte físico).

A equipe do Centro de Tecnologias em Raças Zebuínas Leiteiras (Gama/DF), responsável pela clonagem, obteve resultados acima do esperado. Segundo Álvaro Moraes, médico veterinário da Embrapa Cerrados, a bezerra clonada alcançou um peso excelente ainda muito jovem (80 quilos). Sua alimentação é específica para bovinos de raça leiteira cruzados com raças mais precoces. O manejo alimentar é constituído de concentrado e volumoso. Com isso, o animal torna-se mais vigoroso, com ótimo desempenho produtivo.

O objetivo da clonagem foi criar um bovino resistente ao Cerrado, com qualidade superior na produção de leite – 20 litros por ordenha. Se considerarmos as vacas convencionais da raça Gir, a produção chega, em média, a 12 litros de leite/ordenha. Já a produção leiteira da vaca Gir melhorada geneticamente chega a 20 litros. Além disso, o leite produzido por essa raça apresenta caseína A2, proteína menos alergênica às pessoas com alergia a leite.

Na clonagem, o óvulo de uma fêmea com boa genética é selecionado. Deste retira-se o núcleo, onde estão armazenadas as informações genéticas do bovino. No interior do óvulo, é colocada a célula do animal a ser clonado. Passados sete dias, o embrião segue para uma câmara de cultivo para ser inserido em uma vaca comum, independentemente da genética. Isso porque o embrião já carrega as boas características do bezerro.

O processo é realizado em poucos minutos, com o auxílio de um microscópio. É importante destacar que o espermatozoide do touro não é utilizado, mas sim o óvulo da vaca e a célula do animal que dará origem ao clone. O procedimento custa entre R$30 e R$ 40 mil, mas o projeto da Embrapa tem buscado redução de custos para que todos os pecuaristas possam realizar o melhoramento genético.

“O melhoramento genético do gado de leite pode ser realizado pela seleção dos melhores animais, mantidos no rebanho para pais da próxima geração, ou ainda por meio de cruzamentos entre animais de uma ou mais raças. Qualquer que seja o procedimento, é importante que animais de genética superior sejam identificados”, afirmam Roberto Luiz Teodoro e Rui da Silva Verneque, professores do Curso a Distância CPT Melhoramento Genético de Gado de Leite, em Livro+DVD e Online, da Área Gado de Leite.

Fonte: Globo Rural.

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