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Estilosantes: Em consórcio ou em valor nutritivo, leguminosa se destaca


Uma cultivar de leguminosa que serve de forragem para solos de média fertilidade, tem alto potencial para fixação biológica de nitrogênio (FBN) e pode acrescentar ao solo até 248 kg do elemento por hectare, anualmente. Essas são as características do Estilosantes Bela, cultivar desenvolvida pela Embrapa Cerrados (DF) e pela Embrapa Gado de Corte (MS), em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto).

A nova cultivar surge como opção para a recuperação de pastagens degradadas, contribuindo para melhorar o desempenho de bovinos de corte ou leiteiros por meio do uso em consórcio com pastagens de gramíneas, como braquiárias, ou como banco de proteína. Saiba mais aqui.

No Brasil Central, a Embrapa Cerrados avaliou o Estilosantes Bela em consórcio com milho safrinha, sua produção de forragem, valor nutritivo e produção de sementes, pontos igualmente importantes para o desenvolvimento e sucesso de uma cultivar junto ao mercado.

Em experimento com consórcio com milho para silagem, a presença da leguminosa contribuiu, em média, com 1.700 kg MS/ha para o incremento da quantidade de massa seca total. Já a produtividade do grão variou entre 10.000 kg/ha e 12.800 kg/ha. Tais dados evidenciam que o Estilosantes Bela não influi negativamente na cultura do milho, seja para silagem seja para a produção de grãos.

“Para o estabelecimento do Estilosantes Bela consorciado com milho, recomenda-se a taxa de semeadura entre 6 e 9 kg de sementes puras viáveis por hectare, cujo estande, 30 dias após a semeadura, variou entre 44 e 98 plantas/m²”, detalha a pesquisadora Giovana Maciel.

Produtividade de forragem

A nova cultivar foi avaliada em monocultivo por dois anos no Distrito Federal, em solo muito argiloso, e comparada com as cultivares Mineirão e Campo Grande.

Além da velocidade de crescimento, a forrageira mostrou no Distrito Federal, maior produtividade de forragem, cobertura de solo e porte em relação às cultivares Mineirão e Campo Grande na fase de estabelecimento dos cultivos. A produção de forragem foi acima de 5,0 t/ha, enquanto na cultivares Mineirão e Campo Grande, inferior a 2,0 t/ha.

O Estilosantes Bela teve produtividade de forragem acumulada acima de 13 t/ha, enquanto a cultivar Campo Grande foi inferior a 6 t/ha. Além disso, as plantas produziram 70% a mais de folhas.

Valor nutritivo

O maior porte, ciclo tardio e características foliares também levam o material a apresentar proporção menor de folhas na forragem acumulada em comparação com o estilosantes Campo Grande. Apesar disso, ao confrontar com o valor nutritivo dos capins, especialmente na época seca, os indicadores são geralmente superiores.

O pesquisador Allan Kardec Ramos explica que, por causa da maior adaptação a ambientes mais desafiadores, o diferencial da nova cultivar decorre mais de sua contribuição para uma maior oferta de forragem, inclusive de folhas. “Consequentemente, isso permitirá aos animais em pastejo acessarem uma maior quantidade de forragem com maior valor nutritivo e exercerem maior seletividade no consumo de folhas”, diz.

Apesar do teor de proteína bruta medido nos caules e folhas do Estilosantes Bela ter sido cerca de 12% menor que o da cultivar Campo Grande – e isso se deve à menor proporção de folhas na forragem acumulada –, em termos absolutos, o acúmulo de proteína por área (kg PB/ha) ou de nitrogênio para reciclagem será superior no BRS Bela em função da maior produtividade de forragem do novo estilosantes.

Produção de sementes

As sementes do Estilosantes Bela têm época de florescimento entre abril e maio, sendo mais precoces que a cultivar Mineirão (julho) e mais tardias que a cultivar Campo Grande (fevereiro a março), com produtividade de sementes variando entre 200 e 250 kg/ha de sementes puras.

Sob pastejo e em consórcio, as plantas florescem e produzem sementes. No entanto, segundo os pesquisadores, a produção não é suficiente para assegurar um banco de sementes no solo expressivo capaz de permitir a ressemeadura natural.

Rusticidade e versatilidade de uso

Ramos comenta que a introdução da cultivar em pastos de gramíneas em degradação ou que não recebem adubação de manutenção com adubos nitrogenados melhora o uso da terra. “Outra opção seria a conversão de áreas de baixa produtividade em bancos de proteína para o gado de leite”, completa o pesquisador João Paulo Soares.

Segundo os pesquisadores, no Distrito Federal, onde as condições ambientais são mais desafiadoras, como a seca, a altitude e doenças, a nova cultivar apresentou, em solo argiloso, produção de forragem duas vezes maior que a da cultivar Campo Grande, leguminosa forrageira mais comumente utilizada no Brasil Central e indicada preferencialmente para solos arenosos.

“Locais com seca prolongada e solos mais pesados, de textura argilosa, influenciam negativamente a produtividade do Estilosantes Campo Grande, enquanto o Estilosantes Bela, apesar de ter uma persistência menor, apresenta maior produtividade, inclusive de folhas, nesses ambientes”, comenta Ramos. Além do maior acúmulo de forragem, as plantas da nova cultivar sustentam folhas verdes por mais tempo na estação seca. “Com a nova cultivar, ampliam-se as opções de leguminosas e tem-se uma delimitação dos ambientes e das cultivares de estilosantes recomendadas para o Cerrado, graças aos seus diferenciais adaptativos”, conclui o pesquisador. 

Por ser uma planta do “tipo folha larga”, Ramos alerta que o uso de alguns herbicidas aplicados nas pastagens para o controle de invasoras, também do tipo “folha larga”, pode ser letal para as plantas de estilosantes. Da mesma forma, o produtor deve ficar atento ao fogo acidental nos pastos com a leguminosa.

Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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