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Lavoura protegida e rentável



A chegada da primavera na Região Sul é sempre um desafio para os cultivos de inverno, que enfrentam o clima quente e úmido favorável a incidência de doenças nas lavouras. Equilibrar os custos dos tratamentos fitossanitários com a rentabilidade da lavoura foi tema das discussões no 6º módulo da capacitação Embrapa e OCB na cadeia produtiva de cereais de inverno.

Os gastos com defensivos podem representar 16% do investimento na lavoura de inverno. As doenças causadas por fungos, bactérias e vírus limitam a produtividade e aumentam os custos de produção. A infecção por estes agentes pode ocorrer em diferentes fases de desenvolvimento da planta, mas o impacto maior está nas doenças de espiga, fase de desenvolvimento da cultura onde doenças como a giberela e a brusone ainda desafiam o setor produtivo.

Para minimizar os impactos, a pesquisa trabalha no manejo integrado das doenças, focando na correta identificação, avaliação das condições que favorecem o seu desenvolvimento e difusão de conhecimentos sobre as medidas de controle disponíveis. Além da resistência genética às doenças, o controle também associa técnicas de manejo da lavoura e modelos de simulação computacional na indicação das épocas de maior risco na cultura.

O clima seco ao logo deste ano favoreceu a incidência de oídio nos cereais de inverno. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Trigo, Leila Costamilan, a ocorrência do oídio no desenvolvimento inicial do trigo, por exemplo, pode reduzir o número de espigas, e quando ocorre mais tardiamente, diminui o número de grãos por espiga e o tamanho dos grãos, impactando no rendimento final.

Na área de atuação da Fundação ABC no Paraná, as perdas por oídio foram estimadas em 14%. “Mesmo com controle desde o perfilhamento do trigo, chegamos a até três aplicações de fungicidas nesta safra”, conta o pesquisador Senio Prestes, lembrando que a incidência de La Nina no começo da safra de inverno exigiu manejos mais intensos para o controle de doenças iniciais. “Agora começa a fase que exige maior monitoramento. O clima de primavera é sempre o maior desafio podendo afetar o resultado final da produção. Até aqui, fizemos tudo para produzir muito essa produção precisa atingir boa qualidade. O monitoramento para fazer os melhores tratamentos fitossanitários é o caminho para assegurar um grão de qualidade”.

Para o pesquisador da Embrapa Trigo Flávio Santana é preciso cautela na aplicação dos defensivos: “Estamos observando que as lavouras com menor número de aplicações têm mostrado melhores resultados no rendimento, com diferença de até 500 quilos por hectare no trigo. Isso ocorre porque o monitoramento da lavoura propicia resultados mais efetivos no controle de doenças enquanto que aplicações de fungicida seguindo um calendário, que considera apenas o estádio de desenvolvimento da planta, podem resultar em intervenções quando a planta não apresenta sintomas ou o atraso no controle quando a doença já está instalada”.

A intervenção na lavoura no momento certo depende da correta identificação das doenças. Durante o módulo de proteção de plantas, os 40 participantes desenvolveram atividades a campo e em laboratório para avaliar sintomas e danos causados pelas principais doenças que atacam os cereais de inverno no Brasil. Também foram apresentadas ferramentas de TI (tecnologia de informação) que estão disponíveis para avaliar riscos e orientar o manejo.

Para o representante da Unidade de Tenente Portela (RS) da Cotricampo, Alisson Tibola, todos os módulos desenvolvidos ao longo do ano na capacitação fazem um somatório de conhecimentos, mostrando que a lucratividade do cooperado depende da sustentabilidade do sistema produtivo. “Vimos aqui a importância de utilizar de modo racional todos os recursos disponíveis com base no planejamento da lavoura a longo prazo”, avalia Alisson, destacando novas oportunidades de atuação na cooperativa, como a integração lavoura-pecuária que pode fortalecer a produção leiteira na cooperativa.

Participam da capacitação Embrapa e Sistema OCB na cadeia produtiva de cereais de inverno 2019 profissionais dos departamentos técnicos das cooperativas Cooperante, Cocamar, Coamo, Camnpal, Cotriel, Coopatrigo, Coasa, Cotapel, Cotripal, Coagril, Cotribá, Coopermil, Cotrisal, Cotricampo, Cotrijal, CCGL e Auriverde, além da Fecoagro/SC e do Senar/RS. O módulo sobre proteção de plantas contou com orientações de pesquisadores da Embrapa Trigo, UDESC, IFSul Passo Fundo, Fundação ABC e UPF.

Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo


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