Gestão de projetos ajuda a manter pesquisa ativa durante teletrabalho



Para cumprir o distanciamento social como medida preventiva à disseminação do coronavírus, 100% dos pesquisadores da Embrapa Acre se encontram em regime de teletrabalho. Nesse período são priorizadas ações relativas à gestão de projetos, produção científica e outras atividades relacionadas à pesquisa, que podem ser realizadas de forma remota com o auxílio de ferramentas digitais. Empregados e gestores buscam se adequar à nova realidade, conciliando demandas profissionais com a rotina do lar e a família.

Iniciado no dia 23 de março, o teletrabalho na Embrapa tem término previsto para 15 de maio de 2020. O pesquisador Judson Valentim conta que para não perder o ritmo, nessa nova modalidade de trabalho buscou estabelecer rotinas semelhantes ás que normalmente realiza, acordando cedo e com práticas de exercícios e café da manhã antes de iniciar as atividades laborais. A jornada, entre 7h30 e 14h50, com pequenos intervalos e pausa para o almoço, inclui respostas a mensagens que chegam por e-mail, participação em videoconferências de comitês e grupos de trabalho que integra, para definição de agendas com foco em ações futuras, além da organização e tabulação de dados de pesquisa e produção de artigos científicos. No início da noite ele retoma as atividades e trabalha por cerca de duas horas na elaboração de publicações técnicas.

“Tenho conseguido manter as atividades de pesquisa, com exceção do acompanhamento de experimentos em campo. Esse trabalho vem sendo realizado pelo Setor de Campos Experimentais da Unidade e por um analista do apoio à pesquisa, seguindo orientações do Ministério da Saúde e da Embrapa quanto às restrições de convívio social para evitar o contágio por Covid-19. Pretendo continuar em teletrabalho até que a Empresa decida pelo retorno às atividades normais, uma vez que, por ser hipertenso, estou no grupo de pessoas com maior risco em relação à doença”, explica Valentim.

Outra atividade priorizada pelo pesquisador é a coluna “Inovação Agropecuária”, veiculada às terças-feiras na rádio CBN Amazônia. O texto produzido semanalmente é compartilhado com profissionais de comunicação da Unidade, para revisão, e gravado em casa. “Envio o material para a rádio toda quinta-feira, para aprovação. Geralmente vai ao ar a gravação, mas, de acordo com o tema abordado a coluna pode ser veiculada ao vivo, por meio de entrevista por telefone”, explica.


Revezamento no home office




Transformar a casa em escritório é uma experiência que exige adaptações e mudança de hábitos, mas para quem tem filhos pequenos o desafio é maior. Dependendo da situação, alternar as tarefas da casa e os cuidados com as crianças pode ser uma medida eficiente para obter tranquilidade para o trabalho e cumprir outras atividades. Essa foi a solução encontrada pela pesquisadora Cleísa Brasil. Durante o dia ela se reveza com o esposo - também em home office - nos compromissos institucionais, nos cuidados com as filhas de 9 e 5 anos e na realização das tarefas domésticas.

“O meu plano de trabalho inclui atividades como revisão de documentos, elaboração de publicações e revisões de literatura para elaboração de justificativas para futuras propostas de projeto, além da gestão de projetos, via Ideare, e articulação com responsáveis por atividades, líderes de soluções para inovação e parceiros nas ações de pesquisa. Como as crianças também estão em tempo integral em casa e demandam mais atenção nessa fase, foi preciso organizar o tempo e definir bem os períodos para atender cada necessidade. Então, para dar conta das atividades profissionais, enquanto um trabalha o outro cuida das crianças e da casa”, relata.



Ações contínuas




De acordo com o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, Jacson Rondinelli, em função do teletrabalho foi preciso adiar muita coisa, mas como a pesquisa é um processo dinâmico, grande parte das atividades segue em andamento. Os líderes de projetos, com suas equipes, atuam na avaliação e ajuste dos cronogramas de trabalho, com foco na execução de ações prioritárias.

“O trabalho remoto é uma oportunidade para agilizar atividades de pesquisa como avaliação de dados coletados e sistematização de resultados em forma de publicação. Além disso, muitas ações são contínuas e podem ser realizadas por meio dos sistemas corporativos, acessados de casa, incluindo os relatos de atividades e entrega e comprovação de resultados no Ideare, a tramitação de processos no SEI e a atualização de informações da pesquisa no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen). Outra atividade dos pesquisadores durante o teletrabalho é a participação em bancas de defesa de teses e dissertações, por meios on-line”, ressalta o gestor.

A manutenção das atividades de campo está entre as prioridades da Empresa durante o período de isolamento social. Avaliações que não podem ser adiadas são realizadas com base em critérios normativos de segurança necessários para garantir a saúde dos empregados. As atividades planejadas são acompanhadas por meio de reuniões semanais com os empregados.

Além disso, a gestão de P&D da Embrapa Acre mantém interação diária com o Comitê Técnico Interno (CTI), Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) e outras áreas da Empresa para compartilhar informações em torno da programação de pesquisa da Unidade, recebidas de instâncias superiores, via sistemas corporativos. Para facilitar a comunicação com os pesquisadores foi criado um grupo no Whatsapp, onde é possível trocar informações de trabalho e agilizar demandas da área.

“A pesquisa não pára e exemplo disso é o cronograma de Editais do Sistema Embrapa de Gestão (SEG), com abertura prevista para maio e que, mesmo com a pandemia, a princípio, não sofrerá alteração. Sabemos que articular propostas de projetos robustas em regime de teletrabalho será um desafio, mas acreditamos que teremos bons resultados. Também estamos planejando, junto com a Área de Transferência de Tecnologias da Unidade, a oferta de palestras e cursos, via plataformas on-line, e atuando na formalização de parcerias necessárias à execução de pesquisas, com auxílio do Setor de Contratos e Convênios da Unidade”, diz Rondinelli.


Dificuldades e lições do teletrabalho



Segundo Eufran Amaral, chefe-geral da Embrapa Acre, além das ações inerentes ao Campo Experimental (irrigação e limpeza), a Unidade também definiu ações prioritárias na área de Gestão de Pessoas (folha de pagamento e fechamento de ponto), Setor de Gestão de Laboratórios (conclusão de análises em andamento, manutenção de coleção entomológica, manutenção de meios de culturas e insumos) e Núcleo de Tecnologias da Informação (manutenção da rede lógica). Para viabilizar essas atividades, 18 empregados (15% do total) trabalham em escala de revezamento.

“Assim como o Brasil, a Embrapa passa por um momento de excepcionalidade e emergência devido à pandemia do coronavírus. Para garantir a continuidade das ações da Empresa atualmente temos 63 empregados (53 % do total) em teletrabalho, todos com contrato de trabalho assinado e com planos individuais de trabalho em execução. Outros 34 empregados (29 % do total) estão na condição de dispensados e à disposição da Empresa em função de estarem no Grupo de Risco, não poderem aderir ao teletrabalho ou não desenvolverem atividades essenciais”, destaca Amaral.

Para o gestor, a maior dificuldade é a normatização do teletrabalho e o estabelecimento das rotinas individuais, por envolver outros ambientes e requerer novas ferramentas para uso diário, mudanças que exigem dos empregados um esforço maior em relação ao trabalho presencial. "Entretanto, é possível garantir resultados e metas previstas. Mantemos uma interação permanente com os gestores, realizando reuniões semanais com os chefes-adjuntos e quinzenais com os supervisores e isso inclui também o uso do e-mail corporativo e de ferramentas informais de comunicação como as redes sociais. Desta forma, criamos canais de diálogo horizontal e vertical para assegurar êxito no teletrabalho”, afirma.

Na avaliação de Amaral, o isolamento social é uma medida necessária e eficaz para reduzir o contágio entre as pessoas e evitar a sobrecarga no sistema de saúde estadual. “A grande lição para a Embrapa é que podemos ter um uso eficiente da ferramenta de teletrabalho, com a realização de reuniões, seminários, cursos e diálogos de gestão que permitem avançar com a programação institucional nesse cenário de pandemia. Outro aprendizado importante é que o esforço de todos pode gerar resultados para todos”, finaliza.


Diva Gonçalves (Mtb-0148/AC) Embrapa Acre

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