Vacine corretamente e garanta a saúde do seu rebanho


O manejo sanitário dos bovinos de corte exerce importância fundamental na condução dos sistemas de produção, impedindo que as enfermidades se disseminem dentro do rebanho causando prejuízos econômicos ao sistema. Compreende medidas profiláticas (vacinas, vermífugos etc.) e o controle de doenças (utilização de medicamentos no controle das mesmas).
 
As vacinas, como a tecnologia mais eficiente para a prevenção e controle de determinadas doenças, são antígenos de várias categorias, capazes de estimular, no organismo que os recebe, um estado de resistência parcial ou total, contra uma determinada infecção.
 
Alguns fatores devem ser observados para que a eficiência de imunização das vacinas não seja prejudicada. Esses fatores que podem interferir estão diretamente relacionados com o transporte, conservação, manuseio das vacinas e execução da vacinação, após a aquisição das mesmas no comércio especializado.
 
Algumas práticas devem ser adotadas e obedecidas para viabilizar a proteção ideal do rebanho:
 
  •     Ao adquirir a vacina deve-se verificar os frascos, cujos rótulos devem conter o número de partida, data de fabricação e prazo de validade.
  •     Transportar e manter a vacina de acordo com as exigências do laboratório fabricante.
  •     Para a conservação da vacina em geladeira, a temperatura ideal está entre 2ºC e 8ºC; não congelar.
  •     As seringas e agulhas devem ser esterilizadas (fervidas). O uso de desinfetantes para esterilizar as agulhas é proibido, porque os resíduos podem inativar a vacina.
  •     As vias de administração e doses devem ser obedecidas conforme recomendação do laboratório fabricante.
  •     O frasco deve ser agitado todas às vezes que a seringa for reabastecida.
  •     Diferentes produtos nunca devem ser combinados, a não ser que as vacinas sejam embaladas para serem misturadas subseqüentemente.
  •     Não vacinar animais debilitados ou submetidos a atividades desgastantes: viagens prolongadas, trabalho de parto etc.
  •     Não utilizar vacinas de frascos já abertos e com sobra de produto.
  •     Após abastecer a seringa, recoloque o frasco da vacina no gelo e tampe a caixa de isopor.
  •     Após vacinar cada grupo de dez animais, substituir a agulha por outra limpa e esterilizada (fervida).
  •     Não vacinar nas horas muito quentes do dia e, após a vacinação, evitar movimentar os animais pelo menos durante uma ou duas horas.
  •     Para facilitar o manejo, pode-se utilizar mais de uma vacina na mesma ocasião.
  •     A vacina contra brucelose é perigosa para quem a aplica. Portanto, deve ser administrada com a assistência de um médico-veterinário ou com os devidos cuidados na sua manipulação.
  •     Obedecer o prazo de carência estabelecido para as vacinas, conforme laboratório fabricante, evitando consumo de carne e leite.
  •     O controle escrito da vacinação executada deve ser feito, registrando-se os animais vacinados, a data de vacinação, o número de partida, o laboratório e a validade da vacina.
  •     Os frascos vazios devem ser incinerados.
Algumas vacinas merecem atenção especial, como as vacinas vivas, contra a brucelose e a tristeza parasitária dos bovinos (TPB). No caso da vacina contra a brucelose, o antígeno (vacina) vem liofilizado, em um frasco-ampola, acompanhado de uma ampola com o diluente. O vacinador deverá, com uma seringa e agulha, remover o diluente da ampola e injetá-lo no frasco contendo o antígeno liofilizado. Após isto, homogeneizar bem, com movimentos suaves. Só então deverá encher a seringa de vacinação e aplicar a vacina, na dose de 2 ml, por via subcutânea. O manuseio do produto deve ser criterioso, em virtude do risco de contaminação do vacinador.
 
As vacinas EMBRAVAC, contra a TPB, são também vivas, porém não existe o risco de contaminação do vacinador em virtude da especificidade dos agentes. Essas vacinas são apresentadas em tubos criogênicos, separadamente, um tubo contendo a cepa atenuada de Babesia bovis, um com cepa atenuada de B. bigemina, outro com o Anaplasma centrale e um frasco com diluente. Os tubos com as vacinas são mantidos em botijão de nitrogênio líquido, o que garante sua estabilidade.
 
No dia da vacinação, os tubos são retirados do botijão de nitrogênio líquido e descongelados em banho-maria, a 37°C (da mesma maneira utilizada para descongelar sêmen para inseminação artificial). Após o descongelamento, com uma seringa e agulha hipodérmica, o conteúdo dos três tubos é transferido para o frasco contendo o diluente. Este frasco é mantido à temperatura ambiente. Após diluída, a vacina pode ser utilizada por até doze horas, no mangueiro, desde que protegida do calor excessivo e dos raios solares. No verão, é aconselhável manter a vacina, após diluída, em uma caixa de isopor com gelo. A dose é de 2 ml das vacinas diluídas por via subcutânea, como as demais.
 
NOTA: Todas as medidas de natureza higiênico-sanitária, além de outras práticas de manejo, são imprescindíveis para a prevenção de diversas enfermidades. A mamada do colostro, nas primeiras horas de vida do bezerro, é fundamental para sua defesa contra os agentes causadores de doenças, pois lhe confere os anticorpos colostrais, além de vitaminas e minerais.
 

Vias de Aplicação

 

Subcutânea

 
É mais indicada para vacinas e vermífugos. O local ideal de aplicação é a região compreendida atrás ou à frente da paleta. De todo o corpo do animal, essa é uma área fácil de ser atingida, possuindo uma pele frouxa e fina, e apresenta maior segurança para o aplicador.
 
Escolhe-se uma dobra de pele e a agulha é inserida até o fim. Direciona-se a agulha obliquamente de cima para baixo e recomenda-se também dobrar a pele, para impedir o refluxo do produto injetado.
 
Se for injetado um volume acima de 10 ml para bezerros, 50 ml para bovinos adultos, recomenda-se dividir a dose em diversas porções em locais diferentes.
 
Atentar sempre para os danos que poderão ser causados às peles dos animais, como conseqüência de aplicações mal realizadas.
 

Intramuscular

 
É melhor aplicada em músculos da região glútea (garupa), e no músculo da tábua do pescoço. Na garupa, deve-se evitar as partes próximas à espinha dorsal, pois podem ocorrer lesões no nervo ciático. Vacinas mal aplicadas podem ocasionar perdas de carcaça em partes nobres dos animais.
 
Com um golpe rápido e forte, a agulha é inserida a 4 cm ou 5 cm de profundidade do pescoço. Em administrações de medicamentos, também podem-se utilizar os músculos da coxa, nunca se esquecendo que estão sendo manuseadas regiões nobres dos animais.
 
Antes de aplicar a injeção é prudente recuar um pouco o êmbolo da seringa, para certificar-se de que a ponta da agulha não está em um vaso sangüíneo (essa situação não se aplica utilizando-se seringas automáticas). Se o sangue penetra na seringa, a agulha deve ser retirada e inserida em outra direção ou em outro local escolhido.
 
É uma prática de injeção relativamente complicada para quem não possui habilidade e instalações para a contenção dos animais, porém deve ser utilizada em caso de medicamentos oleosos, vacinas e antibióticos específicos, situações esclarecidas pela bula.

Luciene Drumond Madureira
Embrapa Gado de Corte

Comentários

Mais vistas da semana

GEDAVE – O que é, como funciona e pontos de atenção da etapa de Cadastro

Galinhas caipiras poedeiras: a avicultura adaptada a pequenas propriedades é negócio rentável e com mercado promissor

Embrapa oferta material propagativo de mandiocas de indústria para o Brasil Central

Aprenda a controlar pragas que atacam limoeiros

Qual o melhor herbicida para pastagens?