Consórcio milho-braquiária contribui com produção sustentável de grãos no Cerrado

 

O primeiro painel da webinar “Boas Práticas Agropecuárias na produção de grãos no Centro-Oeste Brasileiro” foi realizado nessa terça, 11 de agosto, no período vespertino. O evento on-line foi realizado pela Imaflora e General Mills e contou com a presença de Gessí Ceccon, engenheiro agrônomo da Embrapa Agropecuária Oeste. 

O evento foi aberto ao público por meio do canal da Imaflora Brasil, no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=pdzKjcGrr-M&feature=youtu.be) e discutiu boas práticas na produção de grãos, agricultura regenerativa em escala e incentivos econômicos para a agricultura sustentável no Cerrado Brasileiro.

Milho-braquiária

Em sua palestra intitulada “Importância da adoção de sistemas integrados para a conservação, fertilidade e saúde do solo”, Gessí, que há mais de 15 anos trabalha com consórcio milho-braquiária, destacou benefícios e apresentou informações essenciais sobre as etapas de sua implantação. 

O consórcio milho-braquiária é um sistema de produção que viabiliza cultivo simultâneo de milho e braquiária numa mesma área, ao longo do mesmo período. “O consórcio milho braquiária é a porta de entrada da ILPF na propriedade”, disse Gessí.

O uso dessa tecnologia pode ser feito com o objetivo tanto de se obter palha quanto para pastagens. “Saber qual é o objetivo de uso desse sistema é um passo importante e que precisa ser inicialmente definido”, explicou Gessí.

Segundo ele, esse sistema teve sua validade reconhecida como uma forma de agregar valor a produção e contribuir com a sustentabilidade do solo, por meio de sua inserção no Zoneamento de Risco Climático (Zarc). “Isso oficializa o consórcio milho-braquiária como uma tecnologia produtiva sustentável voltada para produção de grãos e palhada”, disse ele. 

Um dos maiores benefícios do consórcio, segundo Ceccon, se refere ao aumento de rendimento nas lavouras de soja cultivadas em sucessão. Além disso, destacam-se aumento na produção de matéria orgânica, menos plantas daninhas e melhorias na quantidade de nutrientes disponibilizados no solo e acrescentou “o consórcio proporciona aumento da presença de carbono no solo, além de melhorias na densidade do solo, devido à presença das profundas raízes de braquiária, que evitam sua compactação”.

Com a frase “o milho paga a conta e a braquiária protege o solo”, Gessí explicou que algumas bactérias e fungos que são saudáveis para as plantas também contribuem com a saúde do solo e o consórcio milho-braquiária contribui com sua fixação de forma natural, sem ônus adicionais. 

Segundo Ceccon, o sucesso do sistema está ligado a qualidade das sementes de braquiária e disse “não é apenas o Valor Cultural de Germinação (VC) que deve ser levado em consideração. É preciso avaliar o vigor, a quantidade de sementes, o espaçamento entre plantas e o tamanho. Enfim, são os detalhes que vão fazer diferença”, acrescentou. 

Pensando nisso, Ceccon desenvolveu uma metodologia que calcula a taxa de semeadura para população de plantas. O cálculo é feito com base no resultado esperado, ou seja, é preciso identificar qual a quantidade de população de plantas desejada por metro quadrado, para que não haja perdas na produtividade de milho. Para conhecer mais sobre essa metodologia clique aqui

Outros pontos que devem ser observados, no momento da implantação do consórcio (época, luminosidade, espaçamento, quantia de sementes); maquinário necessário para ajuste de população de plantas; além de uso de herbicidas adequados.

Gessí orientou que “deve-se manter a braquiária no solo o máximo de tempo possível, não dessecar logo após a colheita do milho, pois ela tem a função de cobrir e proteger o solo. A dessecação precisa ser levada em consideração e está diretamente relacionada ao inicio do processo, pois está ligada a escolha da semente que determina a dose de herbicida para dessecção e tudo termina onde começou: pela escolha de sementes de braquiária de alta qualidade”, finalizou ele.

Webinar 

Além de Gessí, os participantes também conheceram mais sobre o estudo de “estoques de matéria orgânica do solo na sucessão milho/soja em Campo Novo do Parecis, MT”, por meio de dados apresentados por Ciniro Costa Junior, do Imaflora. Também foi realizada uma breve apresentação por Ricardo Wang, da General Mills, que falou sobre algumas atividades sustentáveis apoiadas pela empresa.

Carlos Melo, da Datafarm, falou sobre “Recomendações regenerativas para aumentar a resiliência climática das culturas e o estoque de carbono no solo”. Em sua fala, ele demonstrou, por meio de dados, que Mato Grosso e Rondônia são os dois Estados brasileiros que apresentam as maiores produtividades quando corelacionados com a estabilidade de produção. “Esses dados revelam que os regimes climáticos definidos, com pouca variação de chuvas, contribuem com resultados positivos para soja”, explicou ele. Melo enfatizou que o primeiro pilar para viabilizar o aumento da produtividade de soja e sua estabilidade está diretamente ligado a resiliência climática, que por sua vez, implica em melhorias na qualidade orgânica do solo.

“Produzindo grãos regenerativos orgânicos com eficiência, escala e rentabilidade”, foi o tema central da palestra de Osvaldo Viu Serrrano Junior, diretor técnico da Rizoma Agro. Ele explicou que a Rizoma busca produzir alimentos por meio de novos sistemas que aliem produtividade e rentabilidade, mas que também gerem efeitos positivos no ambiente de produção. “Balanço de carbono por hectare e indicadores de qualidade de solo, aliado a biodiversidade do solo são alguns dos critérios avaliados pela Rizoma em suas propriedades de atuação”, acrescentou.  

Segundo Serrano, nos últimos 10 anos, a relevância da agricultura orgânica em todo o mundo está se tornando cada vez mais significativa e disse “o mercado tem crescido uma média 12,5% ao ano, com uma área de produção que cresceu apenas 9,5%. Existe uma demanda na importação de milho e soja orgânicos, tanto nos EUA quanto na Europa, que juntos somam cerca de 300 mil hectares de grãos orgânicos para exportação”. No Brasil, o mercado interno também tem crescido. Segundo ele, a margem de lucro é de duas a três vezes maiores para os produtores orgânicos. 

Em sua apresentação, ele destacou ainda que existem alguns desafios, relacionados ao fortalecimento do circuito produtivo de alimentos orgânicos no Brasil, tais como: tecnologia de produção para larga escala (protocolos e normas e maquinário específico), certificações (tempos de conversão e custo da oportunidade) e logística e comercialização (estruturas segregadas, controles de qualidade, rastreabilidade, clientes pulverizados, volume mínimo e estabilidade de produção). O diretor da Rizoma Agro afirmou que “contribuir para deixar essa cadeia produtiva mais fluída e servindo como uma ponte para redução desses gargalos é o nosso foco de trabalho”.

Agenda 

O segundo painel da webinar, acontece no dia 18 de agosto, a partir das 15h (BSB), e vai abordar o tema “Incentivos econômicos para a produção agropecuária sustentável. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas on-line, por meio do Google Forms, https://forms.gle/tDXAnZ56tvJSHafM7.

Christiane Congro Comas (Mtb-SC 00825/9 JP)
Embrapa Agropecuária Oeste

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