Plataformas e aplicativos digitais para comercialização de produtos rurais são tema de evento on-line realizado pela Secretaria de Agricultura de São Paulo


Organizado pela Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Barretos, o evento online realizado no último dia 25 de agosto contou com mais de 300 inscritos de todo o Estado de São Paulo e 800 visualizações pós-evento, o que demonstra o interesse pelo tema.

 “O impacto da pandemia da Covid-19 trouxe ao produtor rural a necessidade de buscar a abertura de novos canais de comercialização ao mesmo tempo em que consumidores, comerciantes e compradores também procuram por alternativas para aquisição de gêneros alimentícios. Nesse contexto, as plataformas digitais surgem como ferramentas capazes de fazer essa ligação entre a oferta e a demanda por alimentos, atendendo, assim, à necessidade desses diferentes grupos”, avaliou José Luiz Fontes, coordenador da CDRS na abertura do curso on-line organizado pela CDRS Regional Barretos, intitulado “Plataformas digitais: opções de comercialização dos produtos rurais”, dirigido aos produtores, às organizações rurais, aos comerciantes, consumidores, técnicos e à rede de extensionistas.

“O objetivo do curso foi informar as possibilidades que as tecnologias oferecem para a comercialização da produção rural. Tanto as plataformas como os aplicativos digitais são uma oportunidade de fortalecimento e/ou crescimento para os produtores e empreendedores rurais. Com o curso, pudemos mostrar o funcionamento dessas ferramentas e, baseados na avaliação dos participantes, constatamos que o objetivo foi alcançado e as dúvidas relacionadas esclarecidas. Plataformas e o aplicativo, que pareciam ‘bichos de sete cabeças’, são mais simples e acessíveis do que acreditavam”, explicou Rolando Salomão Carvalho, diretor da CDRS Regional Barretos.

Um amplo diagnóstico dos impactos da pandemia nas principais cadeias produtivas do Estado foi realizado pelos extensionistas da CDRS. Diante dos resultados obtidos, Fontes afirma “que foi possível identificar a urgência e a necessidade de os produtores buscarem novas formas de comercializarem seus produtos, principalmente por conta da suspensão ou retração das vendas em canais tradicionais como centrais de abastecimento, compras públicas, restaurantes, feiras, bares, entre outros. Segundo o coordenador da CDRS, produtos de excelente qualidade foram perdidos pela dificuldade de comercialização, o que mostrou que era preciso avançar rapidamente nessa questão.

“Além de capacitar os produtores para o uso desses canais digitais, que podem se tornar essenciais inclusive no pós-pandemia, temos que atuar em questões ligadas à gestão e formalização da produção agropecuária, pois identificamos que uma parte considerável dos produtores não tem elementos básicos exigidos pelo mercado, principalmente neste ‘mundo da comercialização virtual’, como nota fiscal eletrônica e código de barras. Outros pontos essenciais do novo trabalho estão ligados à gestão fora da porteira e à padronização e classificação dos produtos a serem comercializados, pontos-chave a serem definidos”, afirmou Fontes.

Apesar de os números apresentados durante o evento apontarem que os acessos a esses mecanismos digitais estão na casa de milhares em todo o País, os extensionistas da CDRS reconhecem que existe um grande contingente de produtores e organizações rurais, principalmente pequenas associações e cooperativas, que ainda estão fora do universo da comercialização digital. “Não temos uma visão geral dos resultados concretos desses canais, mas sabemos que as possibilidades de comercialização que surgem com o uso de plataformas e aplicativos são imensas. A partir do momento que os produtores tenham conhecimento mais detalhado, serão estimulados a nos procurar e, como extensionistas, poderemos atuar de forma mais direcionada e assertiva, colaborando para que eles possam ter ganhos com o uso dessas ferramentas”, informou Rolando.

Entre as questões levantadas pelos participantes, destacou-se a necessidade de investimento na melhoria da internet na área rural, o acesso a equipamentos como computadores e tablets, bem como mais capacitação para produtores, visando a uma maior inserção no mundo digital. “A partir da sondagem que fizemos com pequenos produtores, identificamos que o uso do WhatsApp é mais presente e fonte de informações técnicas, consultas de preço, comercialização etc. Verificamos também a precariedade da internet em muitos locais e a necessidade de um processo de aprendizagem para adesão à cultura digital. Por isso, nosso papel como extensionistas é o de ampliar as informações sobre as possibilidades do ambiente virtual, orientando sobre as melhores opções”, argumenta Rolando. Já para os extensionistas de várias regiões do Estado que participaram, o curso foi esclarecedor, com informações importantes, para auxiliar os produtores na tomada de decisão sobre as melhores ferramentas, de acordo com a necessidade de cada um ou cada organização. 

“As apresentações permitiram um bom entendimento da aplicação dessas ferramentas e o produtor poderá escolher o mais simples e sem custo, fazer testes e, a partir da experiência, escolher dispositivos adequados à sua realidade”, avaliou Diego Barrozo, assistente de planejamento da CDRS Regional Barretos, da equipe organizadora.

Além da diversificação dos canais de comercialização, outro ponto importante é o impacto que o uso de novas tecnologias pode ter na sucessão rural, haja vista que os jovens do campo estão muito conectados e tecnologias como essas podem não só facilitar o trabalho, mas gerar renda para que se mantenham no campo. “Esses jovens podem aliar o conhecimento à prática e experiência dos mais velhos, gerando ganhos para todos”, ressaltou Rolando.

Entre as palestras, foi apresentada pela gestora da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), Juliana Cardoso, a plataforma AgroSP, que será lançada em breve pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “O AgroSP é mais um instrumento do Governo do Estado que se soma aos projetos, às ações e aos programas implementados e executados pela Secretaria de Agricultura. O objetivo não é ser uma plataforma de marketplace, mas uma política pública que diminuirá as distâncias entre produtores e consumidores. Para que tenham sucesso nesses novos canais de comercialização (supermercados, restaurantes e consumidores finais, entre outros), entendemos que é preciso apoiá-los, para que invistam na classificação e padronização dos produtos, base para que cheguem às gôndolas e às mesas com produtos de qualidade. Nesse sentido, a extensão rural tem um papel fundamental na transferência de conhecimento e tecnologia”, afirmou Juliana Cardoso, relatando que ações de conexão já realizadas em cadeias produtivas como a dos orgânicos e de flores, que já estavam mais ambientadas no modelo virtual, mostraram bons resultados e podem balizar a expansão de ações para outras atividades.

Programação

Plataforma Agro SP, por Juliana Cardoso, gestora Codeagro/SAA; Pertinho de Casa, por Luiz Felipe Cavallari, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); Cultivando Negócios, por Clóvis Etto, da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp); Mercado CNA/Senar, por Wilson Brandão da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; e o aplicativo Matchfood, por Leonardo Cruz, de Ribeirão Preto.

As palestras estão disponíveis no canal da CDRS no YouTube:youtube.com/c/CDRSagricultura

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail: [email protected]

Por: Paloma Minke

 

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