Manejo de plantas daninhas influencia nos ataques de pragas

Mariane Nickele, doutora em entomologia e consultora do Funcema foi uma das palestrantes do dia 22

 

O manejo de plantas daninhas é uma atividade essencial para os plantios florestais, porque visa suprimir o crescimento e reduzir o número de plantas daninhas por área até níveis aceitáveis para a convivência com a cultura de interesse. Para abordar este tema no 7º Workshop Embrapa Florestas/Apre, e também falar sobre a influência do manejo de plantas daninhas no ataque de pragas na cultura de Pinus, Mariane Nickele, doutora em entomologia e consultora do Funcema, foi uma das palestrantes do dia 22.  


Durante a apresentação, foram citadas as principais pragas que ocorrem nos plantios de Pinus, e que possuem uma relação direta com o manejo das plantas daninhas ao redor dos plantios. Foram mostradas as características, as formas de atuação e os danos causados de cada organismo, estando, entre os exóticos, o gorgulho-do-pinus e os pulgões-gigantes-do-pinus, e, entre os nativos, os besouros Naupactus, os roedores e as formigas cortadeiras. Estas são consideradas pragas-chave, já os demais, são vistos como pragas ocasionais.


De acordo com Mariane Nickele, a aplicação de herbicidas na área total do plantio elimina todas as plantas indesejáveis do ambiente, que poderiam servir de abrigo para os inimigos naturais das pragas, como, por exemplo, do pulgão-gigante-do-pinus. “Estas são pragas que atacam principalmente no início do plantio de Pinus. Se for possível conviver com as plantas daninhas por um período maior, o problema com esses insetos vai ser menor”, aconselha.


Controle das plantas daninhas
As plantas daninhas podem causar uma série de malefícios aos plantios florestais, pois podem competir com as plantas de interesse florestal por água, luz e nutrientes (matocompetição). Outro problema associado é a alelopatia, que consiste na capacidade de determinadas plantas de secretar ou sintetizar determinados metabólitos secundários que, ao serem liberados no ambiente, podem agir contra outras plantas. E também as plantas daninhas podem dificultar as operações básicas de manutenção dos plantios florestais (poda e monitoramento de pragas).

Nos plantios de Pinus, o manejo é feito através de roçadas (manuais, com foices, ou com a moto roçadeira costal) ou aplicação de herbicidas (com bomba costal ou de maneira mecanizada por trator). A utilização de herbicidas é uma prática que, cada vez mais, vem sendo adotada pelas empresas cultivadoras de Pinus, pois o rendimento (redução de custos) tem sido 30% superior, comparado a quem utiliza apenas roçadas.

Mariane Nickele realizou um levantamento com 21 empresas que plantam Pinus, buscando saber como está sendo o manejo de plantas daninhas. A maioria delas (80%) faz utilização de herbicidas, e 20% usa apenas a roçada. Estas possuem áreas que variam de 2 mil hectares plantados até 20 mil hectares de áreas de efetivo plantio. Já as que utilizam herbicidas, possuem o mínimo de mil hectares de área plantada até 50 mil de efetivo plantio. 

Em relação ao período de manejo, a maioria das empresas do levantamento realiza esta atividade até o 3º ano: 15% realiza apenas no 1º ano após o plantio, 20% realiza até o 2º ano e 20% realiza até o 4º ano, porém estas fazem de maneira pontual. Quanto ao uso de produto e suas respectivas moléculas, todas as empresas citaram o uso do glifosato (pós-emergentes). 

A pesquisadora levantou também os estudos publicados sobre a influência da matocompetição nos plantios de Pinus taeda, constatando a existência de apenas três publicações sobre esta espécie, que é a mais plantada no Sul. Os resultados das publicações apontaram diferenças bem significativas entre as áreas testemunhas, que não utilizaram nenhum herbicida, com a área de uso total do herbicida. De acordo com a pesquisadora, isso demonstra a necessidade do manejo de plantas daninhas na cultura do Pinus.

Em suas considerações finais, Nickele citou que as especificidades de cada região, sua topografia, solo e microclima promovem uma composição de plantas daninhas específicas. “Cabe a cada empresa produtora de Pinus avaliar a situação de suas áreas e optar pelo manejo que apresente o melhor custo benefício, estando ciente de que, dependendo da metodologia utilizada, poderá ter mais ou menos problema com determinadas pragas de Pinus”, enfatiza.

Manuela Bergamim (MTb 1951-ES)
Embrapa Florestas

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